top of page
branco 222.png

“Se o grafite esperasse autorização para existir, ele nunca teria existido” diz Pedro Driin sobre legalidade do grafite.

Yasmin Silva 

Por volta de 2005, nas ruas de Florianópolis, um novo talento estava surgindo, o nome dele? Pedro Driin. Artista plástico, tatuador e grafiteiro, nasceu em São Paulo e se mudou para a Capital de Santa Catarina aos seus 18 anos. 

 

  • O que motivou o artista a expressar sua arte nas ruas:

Na entrevista, o artista conta que dois fatores foram determinantes para começar a grafitar, o primeiro foi que ele já tatuava desde 2000 e um amigo dele, sempre que o visitava no estúdio, chamava ele para ir junto pintar na rua, o segundo fator foi uma professora que ao olhar suas pinturas sugeriu que ele pintasse nas ruas ao invés de telas.

 

Seu início de carreira foi marcado por um projeto universitário que trouxe alguns dos melhores artistas para pintar na BR e em São José, Pedro conta sobre:

“Eu fui junto, fiquei olhando, fiquei com eles. Então, foi um processo bem bacana. Aí, a partir disso, eu comecei a pintar em Floripa, comecei a pintar aqui na Lagoa, quase não tinha, praticamente era zerado a questão de arte urbana”.

  • O que o grafite representa:

Ao artista o grafite representa liberdade, identidade e cultura, “Ele significa liberdade, significa cultura, ele é o grito de uma geração. Então ele transforma os espaços, é uma maneira de você se expressar e escrever na cidade”.

  • Processo criativo:

Para Pedro Driin é uma questão de sentimento, ele busca no grafite expressar momentos internos, passar sentimentos e criar conexões. Segundo ele, sempre tenta retratar algo da sua espiritualidade, algo da conexão com um plano superior, desenha mulheres, anjos, e comentou que isso é uma coisa que sai natural.

  • Principais desafios ao realizar grafites em espaços públicos:

Ao ser questionado sobre, ele destaca três problemas, o primeiro é que quando é um projeto cultural, viabilizado pelo governo, prefeituras e instituições de arte, o projeto já vem brifado, já vem com um resumo do que o artista tem que fazer, já vem com um processo de curadoria. Pedro também comenta sobre o preço do material utilizado para realizar as obras, que é um material caro.

 “Quando é uma pintura que sai do teu coração, quando é uma transgressão, quando é uma pintura ilegal, geralmente tem o custo do material”.

O artista ressalta a desvalorização, e dá um exemplo:

“No sentido de tipo, você faz uma produção, faz um projeto com amigos, passa um, dois, três dias pintando e dia seguinte corre a chance de alguém ir lá e pintar tudo de uma cor só, de cinza e deu”.

Ele também comenta que é a falta de valorização no sentido em que não dão voz ao artista, ele sempre tem que passar por um processo de curadoria, o que vai fazer, como, onde e o que significa. As pessoas não conseguem sentir e contemplar as obras, sempre querem decifrar o significado. O artista desabafa sobre o que é arte:

“E a arte, ela não é sempre a questão do belo, ela tem a questão política, do grotesco, do lado obscuro, do triste. É a arte, é um sentimento humano.”

  • Diferença entre grafite e pichação:

O artista relembra que tudo que ele falou, é transmitindo sua própria visão:

“Vou falar da minha ótica, né? Tudo que eu falei aqui em cima é a minha visão, não é uma verdade”. Ele comenta que o grafite e a pichação surgiram da mesma raiz, pois ambos surgiram com os tags, as inscrições, as assinaturas na rua, onde as pessoas colocavam seus nomes, e códigos.  No Brasil, devido ao custo elevado do spray, muitos começaram a usar tinta e rolinho, o que influenciou a estética da pichação. Depois isso foi evoluindo estéticamente, ganhando dimensões maiores, 3D, cores e animações. Apesar da diferença, ambos mantêm a essência de transgressão e o artista ressalta que os murais bonitos nos prédios são considerados uma forma de moralismo, distante da verdadeira essência do grafite.

Resumindo, a diferença principal reside nas questões culturais e de agrupamento, mas a essência compartilhada de marcar e transformar o espaço urbano permanece igual para ambos.

 

  • O grafite está sendo mais valorizado?:

O artista conta que não tem como ser 100% afirmativo com essa pergunta porém, ressalta que hoje o grafite tem muito mais espaço, muito mais voz, e muito mais credibilidade, que já foi mais difícil em relação a isso e também fala sobre a inserção das artes em museus: “Mas a gente conseguiu inserção em galerias, museus, projetos maiores, que com certeza traz uma visibilidade maior para o grafite.”

  • Inspirações artísticas ou influências no mundo do grafite:

Pedro Driin comenta que são seus amigos:

“São meus amigos, eu me inspiro muito neles, né? Tem muita gente pintando foda, tem muita gente desenvolvendo e criando técnicas muito fodas. E em artistas que eu admiro, né? Que fazem da pintura algo incrível.

  • Qual mensagem Pedro Driin espera transmitir através de suas obras:

O artista comenta que são as relações humanas, falar um pouco da própria vida, de momentos em que precisamos ter força, esperança, sobre todo um processo de evolução própria: “Não é fácil enfrentar os desafios, a gente precisa sempre buscar se transformar numa pessoa melhor, mais forte, mesmo diante do caos que a gente vive, então acredito que minha inspiração maior é falar de luz, falar de amor, falar de esperança mesmo”.

 

  • Questão da legalidade ao fazer grafites em espaços públicos:

Ele comenta que o grafite em si ele é transgressão, que na história tradicional do grafite é pintar no lugar que você quer pintar, com ou sem autorização, que é correr o risco para isso e comenta que:

“Se o grafite esperasse autorização para existir, ele nunca teria existido” 

E acredita que ele vai ser assim sempre, alguns lugares com autorização, e outros lugares sem autorização:

“É isso não tem muito que como maquiar, o grafite é pintura, intervenção artística na rua, é isso, transgressão”.

Quais os planos futuros do artista:

Ele conta que seu plano é voltar a pintar na rua, que está há uns seis anos parado por questões pessoais e emocionais e que agora está em um processo de retomada, tanto na questão técnica, quanto na questão artística, de se apropriar novamente do espaço urbano. Ele diz que a ideia é retomar o quanto antes, mas que também vai deixar seguir no seu tempo, ele continua tatuando mas a pintura de rua tem um espaço muito grande em seu coração, que sua ideia é pintar paineis grandes, murais e se articular na cidade.

 

Pedro Driin fez parte de uma das primeiras gerações a pintar em Florianópolis e já dedicou mais de 10 anos da sua vida à arte de rua.

IMG_9573.JPG

Pedro Driin - Atibaia / São Paulo

branco 222.png
@grafiteeviva
Youtube:

Revista Eletrônica- Grafite & Viva foi idealizada por graduandas da faculdade UNISUL.

R. Antônio Dib Mussi, 366 - Centro, Florianópolis - SC, 88015-110

CNPJ:  40.162.189/0002-14

telefone: (48) 3279 - 1000

Filial: Centro, Florianópolis

  • Instagram
  • Youtube

© 2035 por EK. Orgulhosamente criado com Wix.com

branco 222.png
bottom of page